quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A mais velha sobrevivente do holocausto morre aos 110 anos


Artigo publicado no site do Jornal TV5 Monde
Londres (AFP) 24/02/2014

Uma apaixonada por música, apresentada como a mais velha sobrevivente do Holocausto no mundo, cuja história foi tema de um documentário indicado ao Oscar este ano, morreu domingo em Londres com a idade de 110 anos, anunciou sua família.




Durante a Segunda Guerra mundial, Alice Herz-Sommer, judia originária de Praga, havia sido deportada para o campo de concentração de Terezin, hoje na República Tcheca, onde ela aliviava os sofrimentos de seus companheiros detidos tocando piano.
Segundo seu neto Ariel Sommer, “Alice Sommer morreu em paz (…) com sua família a seu lado”. “Ela nos amava, ria conosco e era muito ligada à música. Ela era uma fonte de inspiração e nosso mundo vai ficar consideravelmente empobrecido sem ela a nosso lado”, disse Ariel Sommer.
A vida de Alice Herz-Sommer, que era amiga do escritor existencialista Franz Kafka, é o assunto do filme “The Lady in Number 6: Music Saved My Life”, selecionado na categoria melhor documentário no Oscar que será entregue domingo.
Nesse filme de 38 minutos, a heroína conta sua vida e a importância da música e do riso para levar uma existência feliz.
Eu sou judia, mas Beethoven é minha religião”, explicava recentemente a centenária em um vídeo. “Eu penso em viver meus últimos dias, mas isso pouco importa porque eu tive uma existência extremamente rica. E a vida é magnífica, o amor é magnífico, a natureza e a música são magníficos. Tudo o que se vive é um presente, um presente que devemos amar e passar àqueles que amamos”, acrescentou ela.
Em um outro vídeo, ela explicava “não ter jamais odiado. O ódio conduz somente ao ódio”.
Se nós podemos tocar música, nem tudo está perdido. Ela nos conduz a uma ilha de paz, de beleza e de amor. A música é um sonho”, ela afirmava.
Em seu site na internet, Nicholas Reed, produtor de “The Lady in Number 6”, fala sobre seu filme: “As crianças do mundo inteiro se constroem com seus super-heróis. O que nós, seus pais, devemos lhes lembrar é que os documentários contam história sobre os super-heróis que são verdadeiros. Os super-heróis são baseados em pessoas extraordinárias, em pessoas reais, como Alice Herz-Sommer”.


Cerca de 140.000 Judeus foram deportados para o campo de Terezin e 33.430 dentre eles ali encontraram a morte.

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