quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

40% dos cânceres podem ser evitados


Plano câncer: “40% dos cânceres podem ser evitados”


Artigo publicado no site da TV5 Monde


Paris, 02/02/2014


Por Olivier THIBAULT






Professora de hematologia (especialista em sangue) e presidente do Instituto nacional do câncer (Inca) desde 2011, Agnès Buzyn dá uma lista das questões “humanas e sociais” do 3° Plano câncer, que será divulgado terça-feira, sublinhando que “40% dos cânceres podem ser evitados”.



Q: Quais são as principais questões do 3° Plano câncer?

R: "As questões prioritárias são humanas e sociais. Primeiramente, trata-se de reduzir no futuro o número de novos casos de câncer acentuando a prevenção e a educação dos jovens sobre a saúde. Hoje, 40% dos cânceres podem ser evitados pois estão ligados a comportamentos coletivos ou individuais sobre sobre os quais podemos agir. Em segundo lugar, trata-se de dar a todos as mesmas chances, em toda a França, de ter acesso à prevenção, às pesquisas sobre os cânceres, a tratamentos de qualidade e a inovações terapêuticas ou tecnológicas. 

Q: Que fazer diante dos custos astronômicos que os novos tratamentos contra o câncer atingem?

R: "Os custos dos tratamentos são inerentes ao custo do desenvolvimento e ao fato de que, cada vez mais, eles se dirigem a um pequeno número de pacientes identificados por anomalias moleculares próprias a seus tumores (terapias dirigidas). É conveniente levar em conta essas evoluções maiores e se engajar em uma reflexão global sobre a política do medicamento anticancerígeno sempre continuando a garantir o equilíbrio de nosso sistema de saúde. Os pacientes que sofrem de câncer solicitam um acesso seguro e mais rápido às inovações terapêuticas que é preciso escutar."

Q: É razoável querer implicar os médicos clínicos gerais no tratamento do câncer como preconizava o dr. Vernant, levando-se em consideração sua carga de trabalho importante?


 R : "A responsabilidade pelos cânceres continua uma especificidade dos estabelecimentos de tratamento autorizados, mas os pacientes não param de pedir, com razão, mais implicação de seu clínico nas decisões que lhe competem. A carga de trabalho no cotidiano e o papel central dos médicos clínicos nos diversos caminhos de tratamento de doenças crônicas tornam sua tarefa particularmente difícil. É preciso que o hospital se abra para a cidade, se esforce mais nos laços entre a equipe de tratamento do câncer e o médico, que os meios de informação e comunicação destinados ao médico sejam adaptados a seu exercício de coordenação dos tratamentos e da responsabilidade pelos doentes. Sua tarefa será provavelmente facilitada com a estruturação dos tratamentos iniciais como concebido pela estratégia nacional de saúde. 

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