Plano câncer: “40%
dos cânceres podem ser evitados”
Artigo publicado no
site da TV5 Monde
Professora de
hematologia (especialista em sangue) e presidente do Instituto nacional do
câncer (Inca) desde 2011, Agnès Buzyn dá uma lista das questões “humanas e
sociais” do 3° Plano câncer, que será divulgado terça-feira, sublinhando que
“40% dos cânceres podem ser evitados”.
Q: Quais são as principais questões do 3° Plano câncer?
R: "As questões prioritárias são humanas e sociais.
Primeiramente, trata-se de reduzir no futuro o número de novos casos de câncer
acentuando a prevenção e a educação dos jovens sobre a saúde. Hoje, 40% dos
cânceres podem ser evitados pois estão ligados a comportamentos coletivos ou
individuais sobre sobre os quais podemos agir. Em segundo lugar, trata-se de
dar a todos as mesmas chances, em toda a França, de ter acesso à prevenção, às
pesquisas sobre os cânceres, a tratamentos de qualidade e a inovações
terapêuticas ou tecnológicas.
Q: Que fazer diante dos custos astronômicos que os novos
tratamentos contra o câncer atingem?
R: "Os custos dos tratamentos são inerentes ao custo do
desenvolvimento e ao fato de que, cada vez mais, eles se dirigem a um pequeno
número de pacientes identificados por anomalias moleculares próprias a seus
tumores (terapias dirigidas). É conveniente levar em conta essas evoluções
maiores e se engajar em uma reflexão global sobre a política do medicamento
anticancerígeno sempre continuando a garantir o equilíbrio de nosso sistema de
saúde. Os pacientes que sofrem de câncer solicitam um acesso seguro e mais
rápido às inovações terapêuticas que é preciso escutar."
Q: É razoável querer implicar os médicos clínicos gerais no
tratamento do câncer como preconizava o dr. Vernant, levando-se em consideração
sua carga de trabalho importante?
R : "A
responsabilidade pelos cânceres continua uma especificidade dos estabelecimentos
de tratamento autorizados, mas os pacientes não param de pedir, com razão, mais
implicação de seu clínico nas decisões que lhe competem. A carga de trabalho no
cotidiano e o papel central dos médicos clínicos nos diversos caminhos de
tratamento de doenças crônicas tornam sua tarefa particularmente difícil. É
preciso que o hospital se abra para a cidade, se esforce mais nos laços entre a
equipe de tratamento do câncer e o médico, que os meios de informação e
comunicação destinados ao médico sejam adaptados a seu exercício de coordenação
dos tratamentos e da responsabilidade pelos doentes. Sua tarefa será
provavelmente facilitada com a estruturação dos tratamentos iniciais como
concebido pela estratégia nacional de saúde.
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