Artigo publicado no site da TV5 Monde
Washington (AFP) – 12.02.2014
Por Hervé ASQUIN, Tangi QUEMENER
Barack Obama e François Hollande exibiram sua identidade de pontos de vista, terça-feira, sobre as grandes questões geopolíticas e econômicas, trocando cumprimentos e testemunhos de lealdade quando de uma visita em grande pompa do presidente francês à Casa Branca.
Tratando-se por “François” e
“Barack, os dois presidentes participaram de uma longa conferência
de imprensa ao término de duas horas de conversa no Salão Oval,
oportunidade em que foram lembrados os laços históricos entre Paris
e Washington, apesar das crises pontuais.
Obama fez alusão à recusa francesa
de uma intervenção no Iraque em 2003, observando que a cooperação
franco-americana atual sobre os dossiês de política estrangeira
teria sido “inimaginável há apenas dez anos”.
“Eu gostaria de saudar o
presidente Hollande por ter feito progredir” essa cooperação, ele
completou. “François, você não apenas falou com eloquência
sobre a determinação da França a tomar responsabilidades como país
de primeiro plano. Você também agiu. Do Mali à Síria e o Iram,
você deu provas de coragem e de determinação e eu quero agradecer
por sua liderança e sua estreita parceria com os Estados Unidos”.
Por sua vez, Hollande, que fazia a
primeira visita de Estado de um dirigente francês aos Estados Unidos
desde 1996, foi interrogado sobre um outro ponto contencioso recente
entre Paris e Washington: as operações de vigilância das
comunicações eletrônicas pela tentacular agência de informação
NSA, reveladas pelo antigo consultor Edward Snowden.
“Existe uma confiança mútua que
foi restaurada (e) que deve estar fundamentada tanto sobre o respeito
de cada um de nossos países quanto sobre, igualmente, a proteção
da vida privada”, assegurou o presidente francês.
Obama repetiu que “nós nos
engajamos a fazer isso de maneira que nós protejamos os direitos à
vida privada, não somente (…) de nossos cidadãos, mas também das
pessoas que vivem no mundo inteiro”.
Os dois dirigentes disseram também
estar na mesma sintonia quanto ao plano nuclear iraniano, em
particular as sanções que continuam a ser aplicadas à república
islâmica durante o período de acordo temporário.
- Londres ou Paris? Os dois, disse
Obama -
Sobre isso, o presidente americano
insistiu que as empresas estrangeiras que estão no Irã o fazem por
“seus riscos e perigos”, prometendo uma “chuva de sanções”
sobre aquelas que não respeitarem o embargo.
Hollande, sobre o fato de que uma
delegação de 116 representantes de empresas francesas esteve em
Teerã no início de fevereiro, disse ter comunicado claramente a
essas firmas que “esses contatos não podiam terminar hoje em
acordos comerciais” e que as sanções só seriam aumentadas em
caso de “acordo definitivo”.
Sobre a economia, Obama estimou que
a França, que sofre em aumentar seu crescimento, teria “feito
reformas estruturais difíceis que, a meu ver, vão ajudá-la a ser
mais competitiva no futuro”.
Interrogado, em vista do
entendimento e da cordialidade exibidos na terça-feira, sobre a
questão de saber se a França iria substituir o Reino Unido como
beneficiária de uma “relação privilegiada” com os Estados
Unidos, Obama se saiu bem com uma brincadeira espirituosa.
“Eu tenho duas filhas. E as duas
são sem dúvida esplêndidas e maravilhosas. Eu jamais escolheria
uma entre elas. E é assim que eu entendo meus extraordinários
parceiros europeus. Todos dois são maravilhosos à sua maneira”,
ele exclamou.
Os dois homens, que haviam viajado
na véspera no Air Force One a Monticello, cidade do presidente
francófilo Thomas Jefferson na Virgínia (leste), participaram no
início da manhã de uma cerimônia de recepção em grande pompa,
com hinos nacionais, 21 tiros de canhão, discurso e revista de
tropas sobre a grama sul da Casa Branca, com um frio polar compensado
por um sol brilhante.
Após a conferência de imprensa,
Hollande almoçou. A terça-feira terminou com um luxuoso “jantar
de Estado”, grande evento social, com cerca de 300 convidados.
Michelle Obama apareceu vestindo um esplêndido vestido longo azul
com bustiê preto.
Hollande deu um toque histórico a
sua visita concedendo a medalha da Légion d'honneur a um dos
soldados desconhecidos exumado no cemitério nacional de Arlington e
condecorando seis ex-combatentes da Segunda Guerra mundial no Fort
Meyer.
Ele concluirá sua visita aos
Estados Unidos por uma passagem na quarta-feira pela região de São
Francisco (Califórnia, oeste), onde se encontrará com diretores de
empresas do “Vale do Silício”.
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