segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A "Teoria do gênero" nas escolas francesas causa polêmica


Após o casamento gay, a Manifestação para Todos se mobiliza contra a “familifobia”


 
Artigo publicado no site do Jornal TV5 Monde
 
Paris, 02/02/2014
 
Por François BECKER e Stéphane JOURDAIN

 
Os defensores de uma visão tradicional da família, opositores da suposta “teoria do gênero”, a qual eles consideram como a “familifobia” do governo, desfilaram em grande número domingo em Paris e em Lyon: 80 000 segundo a polícia, 500 000 segundo os organizadores.
Em Lyon, eram 20 000 segundo a polícia, o dobro para os organizadores.
Em Paris, uma multidão, sob um sol radiante. Nenhum incidente foi observado ao final da tarde, no momento em que começava a dispersão do desfile.
“Nós éramos mais de meio milhão em Paris e 40 000 manifestantes em Lyon”, disse a organização da Manifestação para Todos, evocando “uma onda azul e rosa”.
Na capital, numerosas famílias se misturam a jovens vestidas de Marianne, barrete frígio na cabeça, meninos fantasiados de Gavroche, um monte de políticos e alguns padres como Philippe Blin, cura em Sèvres (Haut-de-Seine), que “sente uma luta contra as famílias”.
Muitos ostentam o nome de seus departamentos ou cidades de origem, retomando os slogans “Hollande, sua lei, nós não queremos!” ou “Peillon, demissão!”, no meio de algumas bandeiras tricolores.
De acordo com Ludovine de la Rochère, presidente de LMPT, seu movimento pertence a uma “continuidade”, mais de um ano após as manifestações contra o casamento homossexual.
(...)
Uma das reivindicações da Manifestação para todos é a retirada do ABCD da igualdade, uma experiência aplicada na escola para lutar contra os estereótipos meninas?meninos. Ela denuncia também a abertura duvidosa da procriação assistida por médicos (PMA) aos casaid de mulheres e a gestação por outro (GPA), bem como o futuro projeto de lei sobre a família, que não prevê entretanto nem PMA nem GPA.
Na praça Denfert-Rochereau, os organizadores vaiam a teoria do gênero, o ABCD da igualdade, os ministros Vincent Peillon (Educação) e Najat Vallaud-Belkacem (Direito das mulheres).
No início da tarde, doze militantes do movimento estudantil de extrema direita GUD (Grupo União Defesa) foram rapidamente interpelados por causa de “medo de que venham perturbar” a manifestação. Uma meia-dúzia de militantes filiados à direita identitária foram também interpelados, segundo uma fonte policial.
Cerca de 2 000 membros das forças da ordem asseguraram a segurança do cortejo e um helicóptero da polícia sobrevoa, segundo os jornalistas da AFP. Cinco estações de metrô foram fechadas no meio da tarde.
A Manifestação para todos insistiu em um estado de espírito “de paz e determinado” de seus militantes. Ela tinha contratado dois seguranças para garantir “o bom andamento” do evento.
Outras reuniões ocorreram paralelamente em várias cidades europeias, entre elas Madri e Varsóvia.


 

 

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