Após o casamento
gay, a Manifestação para Todos se mobiliza contra a “familifobia”
Paris, 02/02/2014
Por François BECKER
e Stéphane JOURDAIN
Os defensores de uma
visão tradicional da família, opositores da suposta “teoria do gênero”, a qual
eles consideram como a “familifobia” do governo, desfilaram em grande número
domingo em Paris e em Lyon: 80 000 segundo a polícia, 500 000 segundo os
organizadores.
Em Paris, uma multidão, sob um sol radiante. Nenhum incidente
foi observado ao final da tarde, no momento em que começava a dispersão do
desfile.
“Nós éramos mais de meio milhão em Paris e 40 000
manifestantes em Lyon”, disse a organização da Manifestação para Todos,
evocando “uma onda azul e rosa”.
Na capital, numerosas famílias se misturam a jovens vestidas
de Marianne, barrete frígio na cabeça, meninos fantasiados de Gavroche, um
monte de políticos e alguns padres como Philippe Blin, cura em Sèvres
(Haut-de-Seine), que “sente uma luta contra as famílias”.
Muitos ostentam o nome de seus departamentos ou cidades de
origem, retomando os slogans “Hollande, sua lei, nós não queremos!” ou “Peillon,
demissão!”, no meio de algumas bandeiras tricolores.
De acordo com Ludovine de la Rochère, presidente de LMPT, seu
movimento pertence a uma “continuidade”, mais de um ano após as manifestações
contra o casamento homossexual.
(...)
Uma das reivindicações da Manifestação para todos é a
retirada do ABCD da igualdade, uma experiência aplicada na escola para lutar
contra os estereótipos meninas?meninos. Ela denuncia também a abertura duvidosa
da procriação assistida por médicos (PMA) aos casaid de mulheres e a gestação
por outro (GPA), bem como o futuro projeto de lei sobre a família, que não
prevê entretanto nem PMA nem GPA.
Na praça Denfert-Rochereau, os organizadores vaiam a teoria
do gênero, o ABCD da igualdade, os ministros Vincent Peillon (Educação) e Najat
Vallaud-Belkacem (Direito das mulheres).
No início da tarde, doze militantes do movimento estudantil
de extrema direita GUD (Grupo União Defesa) foram rapidamente interpelados por
causa de “medo de que venham perturbar” a manifestação. Uma meia-dúzia de
militantes filiados à direita identitária foram também interpelados, segundo
uma fonte policial.
Cerca de 2 000 membros das forças da ordem asseguraram a
segurança do cortejo e um helicóptero da polícia sobrevoa, segundo os
jornalistas da AFP. Cinco estações de metrô foram fechadas no meio da tarde.
A Manifestação para todos insistiu em um estado de espírito “de
paz e determinado” de seus militantes. Ela tinha contratado dois seguranças
para garantir “o bom andamento” do evento.
Outras reuniões ocorreram paralelamente em várias cidades
europeias, entre elas Madri e Varsóvia.
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