Artigo publicado no site do Jornal Le Monde, com a Agence France Presse
16/02/2014
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Cruzes gamadas e inscrições antissemitas e homofóbicas foram grafitadas em vários edifícios do coração da cidade de Toulouse (França), incluindo um centro destinado aos homossexuais, um cinema e locais políticos, ficamos sabendo no domingo, 16 de fevereiro, de fontes convergentes.
Os fatos remontariam à noite de sábado para domingo, ou, para
alguns, de sexta-feira para sábado. O Espaço das diversidades e da
laicidade, que tem por vocação acolher as vítimas de
discriminações e que abriga em particular um centro LGBT (lésbicas,
gays, bi e transsexuais) foi visado, assim como o local de campanha
do candidato do Partido de esquerda nas eleições municipais, o
Front de esquerda, o cinema de arte e experiência Utopia, a entrada
da Universidade Toulouse 1 Capitole (direito, economia,
administração) e o cemitério de Salonique, informaram fontes
municipais e policiais. Todos estão situados no centro, a pouca
distância uns dos outros.
“Um perigo para nossa República”
Por todos os lugares foram
pintadas cruzes celtas, emblemas da ultra direita. As inscrições
estão no CRIF (Conselho representativo das instituições judaicas),
igualam judeus e homossexuais, atacam os maçons. A inscrição
“Toulouse
nacionalista”
foi colocada na calçada diante do local do Front de esquerda. A
prefeitura e o candidato do Partido de esquerda, Jean-Christophe
Sellin, anunciaram ter dado queixa.
O prefeito socialista Pierre Cohen, que se preocupa regularmente com
o aumento do ódio na França há aproximadamente dois anos, se disse
“profundamente chocado” e apressou a polícia “para
esclarecer o mais rapidamente possível esse assunto”. “Essas
mensagens de ódio são um perigo para nossa República. É nossa
responsabilidade não deixar que se instale esse clima nefasto
com traços dos anos negros”, ele se emocionou em um
comunicado.
As investigações correm o risco, entretanto, de se complicarem,
pelo fato de que as vítimas se apressaram em apagar as incrições,
observou um policial. Os autores são os mesmos que desfilaram no dia
26 de janeiro em Paris pedindo coletivamente um “Dia de cólera”,
assegurou Myriam Martin, segunda na lista de Sellin. As degradações
cometidas em Toulouse não são as primeiras, entretanto “nada
foi feito” e os autores acreditam poder agir com toda
impunidade, ela se indignou. “Como isso vai terminar? Poderia
ser uma mesquita, uma sinagoga. Nós não queremos que isso acabe à
Clément Méric”, jovem militante de extrema esquerda morto em
junho de 2013 em um conflito com skinheads, ela disse.
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