segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Inscrições neonazistas, antissemitas e homofóbicas em Toulouse

Artigo publicado no site do Jornal Le Monde, com a Agence France Presse

16/02/2014
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Cruzes gamadas e inscrições antissemitas e homofóbicas foram grafitadas em vários edifícios do coração da cidade de Toulouse (França), incluindo um centro destinado aos homossexuais, um cinema e locais políticos, ficamos sabendo no domingo, 16 de fevereiro, de fontes convergentes.




Os fatos remontariam à noite de sábado para domingo, ou, para alguns, de sexta-feira para sábado. O Espaço das diversidades e da laicidade, que tem por vocação acolher as vítimas de discriminações e que abriga em particular um centro LGBT (lésbicas, gays, bi e transsexuais) foi visado, assim como o local de campanha do candidato do Partido de esquerda nas eleições municipais, o Front de esquerda, o cinema de arte e experiência Utopia, a entrada da Universidade Toulouse 1 Capitole (direito, economia, administração) e o cemitério de Salonique, informaram fontes municipais e policiais. Todos estão situados no centro, a pouca distância uns dos outros.
Um perigo para nossa República”
Por todos os lugares foram pintadas cruzes celtas, emblemas da ultra direita. As inscrições estão no CRIF (Conselho representativo das instituições judaicas), igualam judeus e homossexuais, atacam os maçons. A inscrição “Toulouse nacionalista” foi colocada na calçada diante do local do Front de esquerda. A prefeitura e o candidato do Partido de esquerda, Jean-Christophe Sellin, anunciaram ter dado queixa.
O prefeito socialista Pierre Cohen, que se preocupa regularmente com o aumento do ódio na França há aproximadamente dois anos, se disse “profundamente chocado” e apressou a polícia “para esclarecer o mais rapidamente possível esse assunto”. “Essas mensagens de ódio são um perigo para nossa República. É nossa responsabilidade não deixar que se instale esse clima nefasto com traços dos anos negros”, ele se emocionou em um comunicado.

As investigações correm o risco, entretanto, de se complicarem, pelo fato de que as vítimas se apressaram em apagar as incrições, observou um policial. Os autores são os mesmos que desfilaram no dia 26 de janeiro em Paris pedindo coletivamente um “Dia de cólera”, assegurou Myriam Martin, segunda na lista de Sellin. As degradações cometidas em Toulouse não são as primeiras, entretanto “nada foi feito” e os autores acreditam poder agir com toda impunidade, ela se indignou. “Como isso vai terminar? Poderia ser uma mesquita, uma sinagoga. Nós não queremos que isso acabe à Clément Méric”, jovem militante de extrema esquerda morto em junho de 2013 em um conflito com skinheads, ela disse.

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