Paris (AFP) – 08.02.2014
Por Laurence BENHAMOU
Artigo publicado no site da TV5 Monde
Um grande conflito se anuncia no Jornal
Libération, onde os acionários querem transformar o jornal, nascido
há 40 anos, em rede social e em espaço cultura, em que o papel não
seria mais a prioridade.
Os empregados descobriram sexta-feira à noite, em
cólera, um breve texto dos acionários, elaborado por Bruno Ledoux,
igualmente proprietário do prédio no centro de Paris, resumindo um
projeto, que apareceu no jornal de sábado.
Libé (como o jornal é conhecido), fundado em
1973 por Jean-Paul Sartre, não será mais somente um editor em papel
mas uma “rede social, criador de conteúdos monetizáveis, em uma
grande gama de suportes multimídias”, eles escreveram. A redação
se mudará e os 4 500 m2 do edifício, na rua Béranger, em pleno
bairro do Marais, serão transformados pelo célebre designer
Philippe Starck em “um espaço cultural e de conferência, que terá
um estúdio para televisão, um estúdio para rádio, uma news room
digital, um restaurante, um bar, um encubador de start-up” sob a
marca “Libération”, como um café “Flore do século XXI”.
Esse anúncio inesperado perturbou os empregados,
muito ligados ao espírito de seu jornal, ancorado na esquerda. As
discussões que duram há meses sobre um plano de economia não
tinham tratado de uma transformação tão radical, em que o jornal
em papel não é mais prioridade.
Lançar esse anúncio sem aviso prévio aos
sindicatos, foi a escolha provocadora de Bruno Ledoux, que com
Edouard de Rotschild detém a maioria do capital. (…) Ele adverte
que, sem esse projeto, é a falência certa.
“Nosso projeto é a única solução viável
para Libération. Se os trabalhadores recusam, Libération não terá
mais futuro”, declarou ele à AFP (Agence France Presse). “Há um
momento em que é preciso que as coisas sejam ditas. Os empregados
queriam um projeto, eles o têm. O papel continuará no coração do
sistema, mas não será mais o sistema em si”.
(...)
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