domingo, 9 de fevereiro de 2014

O Jornal Libération em conflito

Imprensa: hora da verdade para Libération, acionários e assalariados em guerra aberta

Paris (AFP) – 08.02.2014
Por Laurence BENHAMOU
Artigo publicado no site da TV5 Monde


Um grande conflito se anuncia no Jornal Libération, onde os acionários querem transformar o jornal, nascido há 40 anos, em rede social e em espaço cultura, em que o papel não seria mais a prioridade.



Os empregados descobriram sexta-feira à noite, em cólera, um breve texto dos acionários, elaborado por Bruno Ledoux, igualmente proprietário do prédio no centro de Paris, resumindo um projeto, que apareceu no jornal de sábado.
Libé (como o jornal é conhecido), fundado em 1973 por Jean-Paul Sartre, não será mais somente um editor em papel mas uma “rede social, criador de conteúdos monetizáveis, em uma grande gama de suportes multimídias”, eles escreveram. A redação se mudará e os 4 500 m2 do edifício, na rua Béranger, em pleno bairro do Marais, serão transformados pelo célebre designer Philippe Starck em “um espaço cultural e de conferência, que terá um estúdio para televisão, um estúdio para rádio, uma news room digital, um restaurante, um bar, um encubador de start-up” sob a marca “Libération”, como um café “Flore do século XXI”.
Esse anúncio inesperado perturbou os empregados, muito ligados ao espírito de seu jornal, ancorado na esquerda. As discussões que duram há meses sobre um plano de economia não tinham tratado de uma transformação tão radical, em que o jornal em papel não é mais prioridade.
Lançar esse anúncio sem aviso prévio aos sindicatos, foi a escolha provocadora de Bruno Ledoux, que com Edouard de Rotschild detém a maioria do capital. (…) Ele adverte que, sem esse projeto, é a falência certa.
“Nosso projeto é a única solução viável para Libération. Se os trabalhadores recusam, Libération não terá mais futuro”, declarou ele à AFP (Agence France Presse). “Há um momento em que é preciso que as coisas sejam ditas. Os empregados queriam um projeto, eles o têm. O papel continuará no coração do sistema, mas não será mais o sistema em si”.
(...)



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