quinta-feira, 6 de março de 2014

Uma em cada três mulheres é vítima de violência na Europa

Une femme sur trois victime de violences en Europe

Artigo publicado no site do Jornal Libération

05/03/2014
Agence France Presse


Um estudo da Agência europeia dos direitos fundamentais se apoia em testemunhos de 42 000 mulheres nos 28 países da União europeia.

Uma em cada três mulheres na UE foi vítima de violência física ou sexual pelo menos uma vez em sua vida desde a idade de 15 anos, segundo um estudo publicado quarta-feira pela Agência europeia dos direitos fundamentais (FRA), a maior já realizada. Isso corresponde a 62 milhões de mulheres na União europeia, enquanto que a FRA estima que uma a cada vinte mulheres foi estuprada a partir dos 15 anos.
O estudo se baseia nos testemunhos, nos 28 países da UE, de 42 000 mulheres em idade de 18 a 74 anos, recolhidos quando de entrevistas individuais realizadas frente a frente entre março e setembro de 2012. “Nós precisamos agir. Muitas mulheres sofrem na Europa!” disse o diretor da FRA, o dinamarquês Morten Kjaerum durante a apresentação do relatório. “Os números revelados pela enquete não podem e não devem simplesmente ser ignorados”, ele acrescentou em um comunicado.
As taxas de declaração mais elevadas foram reveladas nos países da Europa do Norte: na Dinamarca, mais de uma em cada duas mulheres (52%) dizem ter sido vítima de violência. Seguem a Finlândia (47%), a Suécia (46%) e a Holanda (45%). Por outro lado, os países do sul da Europa revelam as taxas mais baixas: 22% das mulheres na Espanha, em Chipre e em Malta declararam ter sido vítimas em sua vida de violência sexual ou física. Vários fatores podem explicar as diferenças entre os países, de acordo com a FRA, sobretudo uma igualdade de gêneros mais concreta que pode levar as mulheres a falar mais facilmente sobre violência e a julgá-la menos aceitável.
A FRA não dispõe de dados comparativos para notar uma evolução de comportamentos, seu estudo sendo o primeiro desta amplitude. “Eu penso que devemos repetir esse estudo a cada quatro ou cinco anos... Colocando as mesmas questões, podemos ver o que se passa”, estima Joanna Goodey, diretora do departamento Liberdades e Justiça da FRA.

A agência convoca os Estados membros da UE a ratificar a convenção do Conselho da Europa sobre a prevenção e a luta contra a violência contra as mulheres e a violência doméstica, a chamada convenção de Istambul. Atualmente, apenas a Áustria, a Itália e Portugal ratificaram essa convenção. Esses três países fizeram a coisa certa, especialmente a Áustria, onde 20% das mulheres foram vítimas de violência sexual ou física, segunda taxa mais fraca revelada pela FRA, atrás da Polônia (19%).

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