Une femme sur trois victime de violences en Europe
Artigo publicado no site do Jornal Libération
05/03/2014
Agence France Presse
Um estudo da Agência europeia
dos direitos fundamentais se apoia em testemunhos de 42 000 mulheres
nos 28 países da União europeia.
Uma em cada três mulheres na UE foi
vítima de violência física ou sexual pelo menos uma vez em sua
vida desde a idade de 15 anos, segundo um estudo publicado
quarta-feira pela Agência europeia dos direitos fundamentais (FRA),
a maior já realizada. Isso corresponde a 62 milhões de mulheres na
União europeia, enquanto que a FRA estima que uma a cada vinte
mulheres foi estuprada a partir dos 15 anos.
O estudo se baseia nos testemunhos,
nos 28 países da UE, de 42 000 mulheres em idade de 18 a 74 anos,
recolhidos quando de entrevistas individuais realizadas frente a
frente entre março e setembro de 2012. “Nós precisamos agir.
Muitas mulheres sofrem na Europa!” disse o diretor da FRA, o
dinamarquês Morten Kjaerum durante a apresentação do relatório.
“Os números revelados pela enquete não podem e não devem
simplesmente ser ignorados”, ele acrescentou em um comunicado.
As taxas de declaração mais
elevadas foram reveladas nos países da Europa do Norte: na
Dinamarca, mais de uma em cada duas mulheres (52%) dizem ter sido
vítima de violência. Seguem a Finlândia (47%), a Suécia (46%) e a
Holanda (45%). Por outro lado, os países do sul da Europa revelam as
taxas mais baixas: 22% das mulheres na Espanha, em Chipre e em Malta
declararam ter sido vítimas em sua vida de violência sexual ou
física. Vários fatores podem explicar as diferenças entre os
países, de acordo com a FRA, sobretudo uma igualdade de gêneros
mais concreta que pode levar as mulheres a falar mais facilmente
sobre violência e a julgá-la menos aceitável.
A FRA não dispõe de dados
comparativos para notar uma evolução de comportamentos, seu estudo
sendo o primeiro desta amplitude. “Eu penso que devemos repetir
esse estudo a cada quatro ou cinco anos... Colocando as mesmas
questões, podemos ver o que se passa”, estima Joanna Goodey,
diretora do departamento Liberdades e Justiça da FRA.
A agência convoca os Estados
membros da UE a ratificar a convenção do Conselho da Europa sobre a
prevenção e a luta contra a violência contra as mulheres e a
violência doméstica, a chamada convenção de Istambul. Atualmente,
apenas a Áustria, a Itália e Portugal ratificaram essa convenção.
Esses três países fizeram a coisa certa, especialmente a Áustria,
onde 20% das mulheres foram vítimas de violência sexual ou física,
segunda taxa mais fraca revelada pela FRA, atrás da Polônia (19%).
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