Sarkozy : «La France des droits de l’homme a bien changé...»
Artigo
publicado originalmente no site do Jornal Libération
20/03/2014
Após a publicação
de partes de suas conversas com seu advogado, o ex-presidente
abandona o silêncio e se dirige aos franceses através de uma
carta.
Uma estreia desde sua derrota nas eleições presidenciais de maio de 2012. Dois dias após as transcrições por Mediapart das escutas das conversas entre o antigo presidente e seu advogado, Nicolas Sarkozy se dirige diretamente aos franceses através de uma carta intitulada “O que eu quero dizer aos franceses”, publicada nesta quinta-feira à noite no site Figaro.fr.
E como linha de defesa, o antigo chefe de Estado, minado por suspeitas de tráfico de influência, escolhe o
ataque. “Princípios sagrados de nossa República são
desprezados com uma violência inédita e uma ausência de escrúpulo
sem precedente”, diz ele, e por isso sua decisão de “romper
o silêncio”.
“As conversas com meu advogado
foram gravadas sem o menor constrangimento. O conjunto é objeto de
transcrições através das quais imagina-se facilmente quem são os
destinatários!”, diz
Sarkozy, aliás Paul Bismuth. Ele se pergunta “o
que foi feito da transcrição de (suas) conversas”.
Retomando o
contra ataque de seu lado, que acusa após uma semana ter havido um
complô, ele ironiza as negações de Christiane Taubira e de Manuel
Valls. “Eu sei, a ministra da Justiça não
sabia de nada, apesar de todos os relatórios que ela pediu e
recebeu. O ministro do Interior não sabia de nada, apesar das
dezenas de policiais designados somente para minha situação. De
quem estamos rindo? Poderíamos rir disso tudo se não se tratasse de
princípios republicanos tão fundamentais. Decididamente, a França
dos direitos do homem mudou muito”.
“A Alemanha do Leste e as atividades da
Stasi”
Mais adiante,
ele se escandaliza com este assunto que pareceria com os métodos
alemães do leste. “Hoje, ainda, toda pessoa que me
telefona deve saber que será escutada. Você está lendo bem. Não é
um extrato do maravilhoso filme A
vida dos outros sobre a Alemanha do Leste e as
atividades da Stasi (…). Trata-se da França.”
O antigo
chefe de Estado, que não para de deixar planar a dúvida sobre seu
retorno à política diante das eleições presidenciais de 2017,
desmente esta hipótese: “Contrariamente ao que
se escreve quotidianamente, eu não tenho nenhum desejo de me engajar
na vida política de nosso país.”
Ao mesmo tempo, o ex-presidente, um tipo de comandatário da direita
francesa, adverte seus adversários “que
deveriam temer (seu) retorno”.
Que eles estejam “certos que a melhor maneira
de evitar esse retorno seria que eu possa viver minha vida
simplesmente, tranquilamente... no fundo, como um cidadão 'normal'!”
Na base do
caso, Sarkozy tenta defender seu advogado, Thierry Herzog, de
qualquer tráfico de influência. Ele assegura que seu único “crime”
é “de ter sido amigo por trinta anos de um
advogado do Tribunal de Cassação, um dos mais famosos juristas da
França, a quem ele pede conselhos sobre a melhor estratégia de
defesa para seu cliente”,
quer dizer, Sarkozy. O advogado em questão é Gilbert Azibert. Os
extratos de escutas revelados por Mediapart indicam que Herzog contou
várias vezes ao ex-presidente que ele obtém informações através
de Azibert sobre o caso Bettencourt.
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