domingo, 23 de março de 2014

Quando Sarkozy passa da medida


Quand Sarkozy perd toute mesure

Artigo publicado no site do Jornal Libération


20/03/2014
Por Eric DECOUTY


Palavras violentas, excessivas. Em sua primeira aparição desde agosto de 2012, Nicolas Sarkozy propõe para sua defesa apenas um grito de cólera em forma de imprecação. Contra os juízes, os jornalistas, contra um poder socialista que teria criado um grande complô para abatê-lo. Mas a essa exposição oral em sua defesa, já usada por seus seguidores, o ex-presidente acrescenta um toque tão pessoal quanto grotesco. O de uma República perdida onde a polícia e a justiça teriam se transformado em uma Stasi francesa, sob a autoridade de um ditador digno da extinta Alemanha do Leste, François Hollande...


Pouco importa a pobreza de uma argumentação que convencerá apenas seus próximos. A carta de Nicolas Sarkozy guarda pelo menos dois ensinamentos. Inicialmente, o do sentimento de impunidade de um antigo chefe de Estado que se tornou um cidadão comum mas que se considera sempre acima das leis da República. Sarkozy despreza – com exceção de alguns magistrados amigos – uma instituição judiciária da qual ele mal reconhece a legitimidade. Sua missiva, pela falta de propósito, revela sobretudo o estado de um homem que sabe que a justiça passará e que sabe também que seu futuro político corre o risco de quebrar sobre a instrução da Corte.

Nicolas Sarkozy perdeu toda a serenidade, passou das medidas. É a carta de um homem que se perde, vítima de uma violência somente controlada. Não é a carta de um antigo ou de um futuro presidente.

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