Quand Sarkozy perd toute mesure
Artigo
publicado no site do Jornal Libération
20/03/2014
Por
Eric DECOUTY
Palavras violentas, excessivas. Em
sua primeira aparição desde agosto de 2012, Nicolas Sarkozy propõe
para sua defesa apenas um grito de cólera em forma de imprecação.
Contra os juízes, os jornalistas, contra um poder socialista que
teria criado um grande complô para abatê-lo. Mas a essa exposição
oral em sua defesa, já usada por seus seguidores, o ex-presidente
acrescenta um toque tão pessoal quanto grotesco. O de uma República
perdida onde a polícia e a justiça teriam se transformado em uma
Stasi francesa, sob a autoridade de um ditador digno da extinta
Alemanha do Leste, François Hollande...
Pouco importa a pobreza de uma
argumentação que convencerá apenas seus próximos. A carta de
Nicolas Sarkozy guarda pelo menos dois ensinamentos. Inicialmente, o
do sentimento de impunidade de um antigo chefe de Estado que se
tornou um cidadão comum mas que se considera sempre acima das leis
da República. Sarkozy despreza – com exceção de alguns
magistrados amigos – uma instituição judiciária da qual ele mal
reconhece a legitimidade. Sua missiva, pela falta de propósito,
revela sobretudo o estado de um homem que sabe que a justiça passará
e que sabe também que seu futuro político corre o risco de quebrar
sobre a instrução da Corte.
Nicolas Sarkozy perdeu toda a
serenidade, passou das medidas. É a carta de um homem que se perde,
vítima de uma violência somente controlada. Não é a carta de um
antigo ou de um futuro presidente.
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