Femmes à la une
Manifesto publicado no Jornal Libération
02/03/2014
Nós, mulheres jornalistas, denunciamos a
grande invisibilidade das mulheres na mídia. Nas emissões de debate
e nas colunas dos jornais, as mulheres representam apenas 18% dos
experts convidados. As demais mulheres entrevistadas são
quase sempre apresentadas como simples testemunhas ou vítimas, sem
seu sobrenome nem sua profissão.
Nós não suportamos mais os clichês
sexistas nas manchetes dos jornais. Por que reduzir ainda tanto as
mulheres a objetos sexuais, donas de casa ou histéricas? Por esses
desequilíbrios, a mídia participa na difusão de estereótipos
sexistas. Ora, ela deveria, em vez disso, representar a sociedade em
todos os níveis. Esses estereótipos são ao mesmo tempo a causa e o
resultado das desigualdades profissionais, objetivos e atitudes
sexistas no seio das redações, mas também da falta de
sensibilização dos jornalistas quanto a esse assunto.
Nós recusamos que persistam essas
desigualdades profissionais entre as mulheres e os homens nas
redações. Não apenas nós somos mais tocadas pela precariedade,
mas nós batemos no “teto de vidro”: mais se sobe na hierarquia
das redações, menos se encontram mulheres. Mais de 7 diretores de
redação em 10 são homens. Quanto aos salários, os das mulheres
jornalistas continuam inferiores 12% em média aos dos homens. Essas
desigualdades se refletem mecanicamente nos conteúdos da informação.
Como dar credibilidade à palavra de experts quando se sofre
em reconhecer as capacidades das mulheres jornalistas em dirigir
redações? É o círculo vicioso que toca todas as mulheres e ainda
mais – é um sofrimento duplo – as mulheres oriundas da
diversidade. Para lutar contra essas desigualdades e criar as
condições de uma sociedade mais justa para todos, o coletivo
Prenons la une está engajado a mostrar, no dia a dia, o
discurso e os estereótipos sexistas na mídia e a denunciar as
desigualdades. Nós chamamos nossas irmãs e nossos irmãos em seu
trabalho diário para uma justa representação da sociedade, e a
constituir em sua redação uma base de dados de experts para
diversificar as fontes e a torná-las paritárias, como já faz a
BBC. Nós os incitamos também a vigiar para que os dirigentes da
mídia apliquem a legislação sobre a igualdade profissional,
começando por um diagnóstico da situação da empresa.
Além disso, nós pedimos a presença de
50% de experts mulheres nos canais de televisão, uma
aplicação concreta da “justa representação de mulheres na
mídia” prevista pela lei sobre a igualdade entre as mulheres e os
homens (…). Nós pedimos a integração da paridade nos critérios
de deontologia do futuro Conselho de imprensa e o condicionamento da
atribuição de apoio à imprensa ao respeito das leis sobre a
igualdade profissional. Enfim, nós propomos a criação de módulos
de formação, dispensados a todos os estudantes de jornalismo, sobre
a luta contra os estereótipos e a igualdade profissional. Nós
chamamos todos os jornalistas, mulheres e homens, a se juntarem nesse
combate pela igualdade!
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