sábado, 8 de março de 2014

Mulheres em destaque

Femmes à la une



Manifesto publicado no Jornal Libération
02/03/2014


Nós, mulheres jornalistas, denunciamos a grande invisibilidade das mulheres na mídia. Nas emissões de debate e nas colunas dos jornais, as mulheres representam apenas 18% dos experts convidados. As demais mulheres entrevistadas são quase sempre apresentadas como simples testemunhas ou vítimas, sem seu sobrenome nem sua profissão.
Nós não suportamos mais os clichês sexistas nas manchetes dos jornais. Por que reduzir ainda tanto as mulheres a objetos sexuais, donas de casa ou histéricas? Por esses desequilíbrios, a mídia participa na difusão de estereótipos sexistas. Ora, ela deveria, em vez disso, representar a sociedade em todos os níveis. Esses estereótipos são ao mesmo tempo a causa e o resultado das desigualdades profissionais, objetivos e atitudes sexistas no seio das redações, mas também da falta de sensibilização dos jornalistas quanto a esse assunto.
Nós recusamos que persistam essas desigualdades profissionais entre as mulheres e os homens nas redações. Não apenas nós somos mais tocadas pela precariedade, mas nós batemos no “teto de vidro”: mais se sobe na hierarquia das redações, menos se encontram mulheres. Mais de 7 diretores de redação em 10 são homens. Quanto aos salários, os das mulheres jornalistas continuam inferiores 12% em média aos dos homens. Essas desigualdades se refletem mecanicamente nos conteúdos da informação. Como dar credibilidade à palavra de experts quando se sofre em reconhecer as capacidades das mulheres jornalistas em dirigir redações? É o círculo vicioso que toca todas as mulheres e ainda mais – é um sofrimento duplo – as mulheres oriundas da diversidade. Para lutar contra essas desigualdades e criar as condições de uma sociedade mais justa para todos, o coletivo Prenons la une está engajado a mostrar, no dia a dia, o discurso e os estereótipos sexistas na mídia e a denunciar as desigualdades. Nós chamamos nossas irmãs e nossos irmãos em seu trabalho diário para uma justa representação da sociedade, e a constituir em sua redação uma base de dados de experts para diversificar as fontes e a torná-las paritárias, como já faz a BBC. Nós os incitamos também a vigiar para que os dirigentes da mídia apliquem a legislação sobre a igualdade profissional, começando por um diagnóstico da situação da empresa.



Além disso, nós pedimos a presença de 50% de experts mulheres nos canais de televisão, uma aplicação concreta da “justa representação de mulheres na mídia” prevista pela lei sobre a igualdade entre as mulheres e os homens (…). Nós pedimos a integração da paridade nos critérios de deontologia do futuro Conselho de imprensa e o condicionamento da atribuição de apoio à imprensa ao respeito das leis sobre a igualdade profissional. Enfim, nós propomos a criação de módulos de formação, dispensados a todos os estudantes de jornalismo, sobre a luta contra os estereótipos e a igualdade profissional. Nós chamamos todos os jornalistas, mulheres e homens, a se juntarem nesse combate pela igualdade!

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