terça-feira, 20 de maio de 2014

Os suíços votam contra o salário mínimo a 3300 euros

Les Suisses votent contre le smic à 3300 euros





Artigo publicado no Jornal Libération
18/05/2014
Agence France Presse


Os suíços recusaram claramente, domingo, um salário mínimo único de 3.300 euros, que teria sido o mais alto do mundo, e rejeitaram, mais timidamente, a compra de 22 aviões de combate suecos Gripen.



Com um total de 76,3% dos votos, o povo varreu a introdução de um salário mínimo de 22 francos suíços a hora (18 euros), em torno de 4.000 francos brutos (3.300 euros) para 42 horas semanais (100%), segundo os resultados oficiais. Todos os 26 cantões da confederação se opuseram ao projeto.
Este salário mínimo teria sido o mais alto do mundo: ele é de 9,43 euros na França, 5,05 euros na Espanha e será, na Alemanha, de 8,50 euros a partir de 2015.
Para os sindicatos e partidos de esquerda, o custo muito elevado da vida na Suíça justificaria este salário mínimo de 4.000 francos suíços.
Mas uma grande parte da população temia que um tal salário favorecesse uma alta do desemprego, quase inexistente na Suíça (3,2% da população ativa em abril).


Contra este projeto, a direita, os meios agrícolas, o Parlamento e o governo tinham afirmado que um salário mínimo tão alto teria sido um perigo para o emprego e tinham afirmado que já existem salários mínimos em certos ramos profissionais.


Os Gripen devolvidos ao hangar
Após um longo suspense, os cidadãos helvéticos finalmente rejeitaram a compra de 22 novos aviões de combate suecos Gripen fabricados por Saab.

Contrariamente à questão do salário mínimo, os suíços se mostraram divididos sobre a compra dos Gripen.

Enquanto os cantões romanches e o Tessin (cantão italofone) recusaram a compra dos 22 aviões suecos, a maioria dos cantões alemânicos – tradicionalmente mais conservadores – apoiou o projeto do governo. Mas isso não teria sido suficiente.
O governo suíço e o Parlamento queriam comprar os Gripen, estimando que uma parte dos aviões de combate que as forças armadas dispõem estariam “obsoletos”.
A fim de financiar esta aquisição, o Parlamento criou um fundo alimentado pelas despesas ordinárias ligadas ao armamento para repartir, por um período de 11 anos, o custo de 2,56 bilhões de euros necessários a esta compra.
Contrários ao projeto, a esquerda e os Verdes afirmaram que a fatura seria bem mais pesada e que a Suíça está rodeada de países amigos. O avião, cuja variação E encomendada só existe no papel, não é bom o bastante, estimaram seus detratores, sublinhando que será sempre tempo de reconsiderar uma outra encomenda.
Resta a saber o que o governo vai fazer a partir de agora. Pois como havia martelado várias vezes o ministro da defesa, Ueli Maurer: “não há um plano B”.


As Forças aéreas suíças dispõem atualmente de 86 aviões de combate – 32 F/A-18, que serão utilizados até 2030 pelo menos, e 54 F-5 Tiger que, segundo o governo, “não possuem radar com bom rendimento, não podem utilizar todos os tipos de mísseis guiados e só podem ser usados de dia e com boa visibilidade”.

terça-feira, 22 de abril de 2014

"Shoah e Ruanda, referências comuns"

«Shoah et Rwanda, des références communes»

Artigo publicado no site do Jornal Libération
28/03/2014
Por Catherine CALVET e Maria MALAGARDIS


IDEIAS

Vinte anos após o genocídio, o historiador Jean-Pierre Chrétien analisa a lógica que conduziu ao projeto de exterminação dos tútsis.

Cerca de um milhão de mortos em apenas cem dias: o genocídio da minoria tútsi, que se passou em Ruanda há exatamente vinte anos, constitui a mais fulgurante tentativa de exterminação da História contemporânea. Por que este acontecimento continua tão mal conhecido, e tão pouco reconhecido? É uma das interrogações à qual tenta responder o historiador Jean-Pierre Chrétien em seu último livro, Rwanda, Racisme et Génocide, l'idéologie hamitique - Ruanda, Racismo e Genocídio, a ideologia hamítica (1). Este especialista da África dos Grandes Lagos analisa em seu livro também as razões que tornaram possível um tal massacre. Pois foram necessários anos de propaganda, de falsificação da História, imposta especialmente pelo colonizador, e a estigmatização do Outro para convencer as mentes da necessidade do pior. No fundo, a História se repete, e o historiador não deixa de sublinhar os paralelos perturbadores entre o antissemitismo na Europa que conduziu à Shoah e o que se passou em 1994 nesse pequeno país no coração da África.



Quais são as origens deste genocídio?
O genocídio ruandês não foi improvisado em função de uma conjuntura. Não era tampouco uma fatalidade inscrita nos genes da população ruandesa: é preciso parar de ter uma visão etnográfica da África e reduzir esta tragédia a um massacre interétnico como se escuta ainda muito comumente. O reconhecimento de um genocídio pela comunidade internacional (como é o caso em Ruanda) não depende do número de mortos mas de um projeto, de uma lógica de exterminação que se inscreve na duração. Ora, no caso ruandês, a ideologia racista que vai se impor encontra também raízes na Europa. Nós encontramos as mesmas referências, os mesmos autores que estão na origem da Shoah na Europa. As teorias de Gobineau também influenciaram os colonizadores de Ruanda. Os Ocidentais do século XIX possuíam uma grade de leitura do mundo “racializada”.
Você invoca a ideologia hamítica. Quem são os hamitas?
Tal noção, que aparece no século XIX, servia para designar os africanos que se supunha ter origem extra africana. Nos fantasmas ocidentais que se exportam para a África, os hamitas representariam assim uma “raça superior”. Ao descobrir um reino muito organizado, uma sociedade hierarquizada e sofisticada, crente em um Deus único, coisa rara na África, os primeiros Brancos que chegam em Ruanda não podem conceber que se trata de uma realidade africana. Eles vão criar o mito do tútsi hamita vindo de alhures. Em realidade, essa visão de raça se impôs em toda a África. Era preciso classificar, etiquetar. E teorizar esta visão da África. O antropólogo britânico Charles Gabriel Seligman, por exemplo, vai desenvolver a ideia em As Raças na África (publicado em 1930), que os pretensos hamitas difundiram seus saberes e uma organização política avançada sobre o continente. Portanto, existe um “verdadeiro negro” e um “falso negro”. O verdadeiro negro corresponde aos preconceitos racistas utilizados para justificar o tráfico. Essa classificação será sistemática na África oriental e austral. Próximo do oceano Índico e da península arábica, essa região conheceu movimentos e misturas de populações, mas é como se analisássemos o movimento dos Bonnets rouges (os Bonés vermelhos) através da presença celta. Encontramos também esta tese racista em Gobineau, em seu Essai sur l'inégalité des races humaines – Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas (em 1853), teria havido um primeiro “escoamento branco” (onda de povoamento de origem europeia), da qual se originariam os hamitas. Desde as primeiras horas da colonização, os tútsis foram classificados em uma categoria “superior” e os hutus se tornaram os sub humanos.
Enquanto que no início nem hutus nem tútsis são verdadeiras etnias?
Isso mesmo, são castas transformadas em etnias pelo colonizador fascinado pela monarquia. Ora, naquela época, somente 15 a 20% dos tútsis eram aristocratas e era possível passar de hutu a tútsi em função de seu lugar na sociedade. Aliás, a palavra etnia é bastante recente, ela substituiu os termos “raça” ou “tribo” nos anos 1970. Assim a clivagem social no seio de uma população que dividia a mesma língua, a mesma cultura e uma mesma história é transformada em uma separação estanque entre dois pseudo povos. As ferramentas intelectuais desta clivagem são artificiais e antigas.
Segundo a ideologia hamítica, os tútsis eram, portanto, vistos de modo positivo?
Houve várias mudanças bruscas. O que denotava, no início, uma certa admiração transformou-se em seguida em sinal de uma desconfiança, os indígenas que vão resistir à colonização são justamente esses Hamitas favorecidos no início. Os missionários tiveram um grande papel na construção desses preconceitos. Eles chegam a explicar que os hamitas são os herdeiros de um povo que fugiu quando da queda da torre de Babel. Eles teriam assim pertencido a uma civilização superior, mas teriam sido punidos por sua arrogância. É o reflexo de uma ideologia, pois, ao mesmo tempo, os manuais dos missionários são empregados para sustentar a ideia de uma civilização urbana que se perverte. Mesmo se os tútsis são considerados como superiores e mais inteligentes, e portanto favorecidos inicialmente pelo colonizador, este último insinua desde o início que eles possuem hábitos suspeitos em contraste com a simplicidade dos hutus. Como diz muito bem o jornalista Jean Hatzfeld (antigo jornalista de Libération) os tútsis não têm nada a ver com os judeus, mas se encontram em uma situação similar. Do antissemitismo ao “antitutsismo”, é possível encontrar pistas comuns. Há também um efeito espelho entre a ideologia racista dos anos 1930 na Europa (arianos contra semitas) e esta construção racial transportada para Ruanda (hutus contra tútsis)... São ideologias complexas, com fantasmas e mudanças identitários múltiplos. O colonizador não domina tudo. As sociedades colonizadas instrumentalizam à sua maneira certas ideias ocidentais que os colonizadores quiseram lhes aplicar. A aristocracia ou as elites tútsis da Ruanda dos anos 50 levam uma parte da responsabilidade, elas se deixaram seduzir por esta pretensa superioridade. E os hutus, que tomam o poder em 1959, não contra o colonizador mas contra o tútsi, vão utilizar com vantagem para si desta herança colonial.
O genocídio é também produto de uma situação sócio econômica?
No início dos anos 90, a única esperança para Ruanda, então em plena crise, teria sido uma verdadeira revolução social, mas o genocídio bloqueou tudo. O racismo como o nazismo permite permanecer no poder sem questionar nem o capitalismo nem algum funcionamento econômico ou social injusto.
A dimensão social continua primordial, é o que permitiu a legitimação da visão racial. É assim que a luta das raças suplantará a luta de classes... Lá, ainda, encontraremos a leitura colonial, Ruanda foi administrada em termos de “raças”. E é quando essa linguagem das “raças” se junta a um discurso social que a situação se torna explosiva. Esse esquema simplificador descrevia os tútsis de “raça” hamítica conquistadora face aos hutus de “raça” bantu, os hutus representavam o terceiro estado e os tútsis eram os aristocratas. Essa visão não era somente veiculada pelos detentores de um poder enfraquecido em Ruanda, constituía também o molde de leitura do presidente François Mitterrand. Assim, no início, os tútsis eram talvez vistos como inteligentes, racionais, como aqueles a quem se podia delegar o poder. Depois, nos anos 1950, era melhor se fiar nos hutus, que representavam o “verdadeiro” povo ruandês, e desconfiar dos tútsis, descendentes dos “aristocratas”. As referências à revolução francesa são evidentes. Mas em Ruanda, quando o poder bascule em favor dos hutus à independência, os privilégios não são abolidos, como na noite do 4 de agosto de 1789, eles apenas trocam de campo. E as menções étnicas nas carteiras de identidade introduzidas pelos belgas em 1930 são mantidas e vão servir para estigmatizar os tútsis. As teses dos historiadores do século XIX vão justificar a inelutabilidade do genocídio tendo por fundo uma desesperança social e econômica que coloca a sociedade ruandesa em um impasse.


Por que se fala ainda de “massacres interétnicos” com relação a Ruanda, de “conflito entre hutus e tútsis”?
É uma visão herdada da época colonial que nos impede de analisar verdadeiramente os contextos político e ideológico da África contemporânea. A política estrangeira consiste ainda em “gerenciar” as etnias. Não viria a nosso espírito a ideia de misturar a ex-Iugoslávia, Ucrânia e Bélgica; deveria ser o mesmo para Ruanda, a República Centro-Africana e o Mali. Não se pode reduzir todos os conflitos a problemas étnicos. É a preguiça intelectual ou uma recusa de deixar uma posição confortável de árbitro, a posição do antigo colonizador?
Que reconciliação após o genocídio?
O termo é ambíguo. Teríamos exigido dos judeus de se reconciliar com os alemães ao final da Segunda Guerra mundial? Nós podemos perdoar somente quando a justiça é feita. “Ame teus inimigos” não significa “Ame o programa de teus inimigos”. Foi preciso uma condenação clara do nazismo antes de uma reconciliação com os alemães. E será preciso uma condenação clara do projeto de genocídio ruandês antes que as vítimas e as famílias das vítimas perdoem.
Em Ruanda, não há uma culpa mal assumida, sobretudo do lado francês?
Certamente. Além disso, nós temos sempre dificuldade em admitir que os africanos possam dirigir sua sorte. Assim o Front patriótico ruandês (FPR), esta rebelião majoritariamente tútsi que colocou um fim ao genocídio, quando a comunidade internacional havia abandonado Ruanda, é mal perçue por maus motivos. Por exemplo, porque no dia seguinte do genocídio, o FPR, que retoma então o poder, recusou toda ação humanitária, incluindo quando centenas de milhares de refugiados voltaram. O novo regime não queria campos MSF (Médicos sem fronteiras) em Ruanda, era necessário que os refugiados entrassem diretamente em suas casas e que não criassem raízes em campos de refugiados. Essa decisão chocou o Ocidente, pois nós continuamos a ter uma visão miserabilista sobre a África. Nós não vemos que este continente se move economicamente e politicamente, procura seu próprio caminho. As novas gerações africanas não se voltam mais em direção à França.
O racismo anti tútsis pertence ao passado naquela região?
Oficialmente não se fala mais nem de hutus nem de tútsis em Ruanda, mesmo se certamente todo mundo pensa sobre isso. Todo mundo compreendeu que o discurso étnico era mentiroso, entretanto restam ainda alguns extremistas para jogar com esse discurso. E as guerras no Congo são prolongamentos do genocídio, porque os praticantes ruandeses do genocídio que se refugiaram lá exportaram o ódio contra os tútsis, que são igualmente numerosos na região de fronteira com Ruanda. É um círculo vicioso.


Você foi citado como expert quando do processo em Paris de Pascal Simbikangwa por genocídio, qual pode ser o papel da justiça?
A eficácia da justiça em tais casos se mede com o eco dos processos. O trabalho do Tribunal internacional sobre Ruanda, baseado em Arusha na Tanzânia, é incontestável, mas não é nada diante da repercussão do processo de Nuremberg. É preciso que o trabalho da justiça encontre a opinião pública. Se a justiça não encontra uma continuidade na mídia, há poucas chances para que um processo tenha virtudes pedagógicas. No que concerne a França, uma vez que um processo se passa em Paris, a pedagogia só é possível quando se afasta não somente das leituras étnicas mas também dos debates franco-franceses: a responsabilidade francesa não deve ser o único objeto de debate, isso só faz direcionar um pouco mais a opinião. Os africanos existem e agem por si mesmos. Não são peões que jogamos.


(1) Autor igualmente de "L’invention de l’Afrique des Grands lacs. Une histoire du XXe siècle", Ed. Karthala, 2010, 29 €.


Rwanda, racisme et génocide de Jean-Pierre Chrétien et Marcel Kabanda Belin, 379 pp., 22 €.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Resultados municipais 2014: em Avignon, o PS ganha, o festival continuará na cidade.

Résultats municipales 2014: à Avignon, le PS l'emporte, le festival restera dans la ville



Artigo publicado no site do Le HuffPost
30/03/2014
O PS (Partido Socialista) bate o FN (Front National) em Avignon, o festival de teatro continuará na cidade. Agence France Presse.


Sem terremoto na cidade dos Papas, somente uma ruptura por ocasião do escrutínio de 2014. No momento em que a direita governava a cidade com Marie-Josée Roig desde 1995, é o Partido socialista que vence as eleições municipais em Avignon, após uma grande disputa.
A esquerda ganhou no domingo a eleição municipal em Avignon, a lista conduzida pela socialista Cécile Helle com 47,48% dos votos, segundo resultados oficiais. A lista do FN de Philippe Lottiaux recolheu 35,02% e a do UMP de Bernard Chaussegros 17,50%.
A cidade não terá que questionar a manutenção do festival de teatro. O diretor do festival de Avignon, Olivier Py, se disse, domingo à noite, “aliviado” pela vitória da esquerda na cidade e prometeu uma edição 2014 “direcionada à consciência política”. “Amanhã, Avignon vai acordar e nõs saberemos que o Front nacional fez um ponto extremamente importante, portanto o que é preciso continuar a fazer? Falar, se encontrar, escutar”, reagiu Olivier Py.
Entre os dois turnos, o diretor do festival havia lançado uma bomba, ao declarar que ele não trabalharia com uma equipe liderada pelo Front National. Eu não me vejo trabalhando com uma prefeitura do Front National. Isso me parece completamente inimaginável. Portanto eu penso que seria preciso ir embora. Não haveria nenhuma outra solução, afirmou Olivier Py a France Info.

Ele havia, entretanto, confirmado que, haja o que houver, a edição 2014 aconteceria como previsto.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Festival d'Avignon ameaça se mudar se o Front National ganhar as eleições


Le Festival d'Avignon menace de déménager si le FN l'emporte



Da Agence France Presse
Artigo originalmente publicado no site do Jornal Libération
24/03/2014

O diretor do festival, Olivier Py, julga “completamente inimaginável” trabalhar com uma prefeitura do Front National (FN).

Se o Front national ganhar as eleições municipais no segundo turno em Avignon, o festival não terá “nenhuma outra solução” que “partir”, afirmou seu diretor, Olivier Py, segunda-feira, no site France Info: “Eu não me vejo trabalhando com uma prefeitura do Front National. Isso me parece completamente inimaginável. Portanto, eu penso que seria preciso ir embora. Não haveria nenhuma outra solução”.
Aliás, eu não vejo como o festival poderia viver, defender suas ideias que são ideias de abertura, de acolhimento do outro. Eu não vejo como o festival poderia viver em Avignon com uma prefeitura do Front National, isso me parece inimaginável”, ele acrescentou.
(…)

Interrogado sobre o precedente dos Chorégies d'Orange que haviam recusado a subvenção da prefeitura do FN, Olivier Py respondeu: “Isso poderia ser uma solução, recusar a subvenção e que o Festival de Avignon seja unicamente nacional.” “Mas isso me parece, no caso de Avignon, tecnicamente um pouco mais difícil, pois não é somente um lugar, é toda uma cidade que se transforma em festival”, concluiu o diretor dessa grande manifestação cultural na França.
Olivier Py anunciou quinta-feira passada a programação de seu primeiro Festigal de Avignon em presença dos eleitos locais, dentre os quais a prefeita que deixa o cargo, Marie-Josée Roig. O antigo diretor do Théâtre de l'Odéon é o primeiro artisga a dirigir o festival de Avignon desde Jean Vilar, seu fundador em 1947.
O festival de Avignon, um dos maiores encontros mundiais do teatro, gera importantes ganhos econômicos para a cidade. O último estudo, em 2001, estimava ganhos de 23 milhões de euros, sem contar o “off”, que com o passar dos anos se tornou uma gigantesca manifestação festiva com cerca de 1000 companhias e mais de 1200 espetáculos. O festival dispõe de um orçamento de aproximadamente 12 milhões de euros (2013) proveniente 59% de subvenções públicas (56% do Estado, 13% da Cidade de Avignon, 13 % da Comunidade de Aglomeração da Grande Avignon, 9% do Departamento de Vaucluse, 7,6% da Região Provence-Alpes-Côte d'Azur e 1,4% da União europeia) e 41% de receitas próprias (venda de ingressos, mecenato, sociedades civis, parcerias específicas, venda de espetáculos...).

domingo, 23 de março de 2014

Sarkozy: "A França dos direitos do homem mudou muito..."


Sarkozy : «La France des droits de l’homme a bien changé...»



Artigo publicado originalmente no site do Jornal Libération
20/03/2014


    Após a publicação de partes de suas conversas com seu advogado, o ex-presidente abandona o silêncio e se dirige aos franceses através de uma carta.


Uma estreia desde sua derrota nas eleições presidenciais de maio de 2012. Dois dias após as transcrições por Mediapart das escutas das conversas entre o antigo presidente e seu advogado, Nicolas Sarkozy se dirige diretamente aos franceses através de uma carta intitulada “O que eu quero dizer aos franceses”, publicada nesta quinta-feira à noite no site Figaro.fr.




E como linha de defesa, o antigo chefe de Estado, minado por suspeitas de tráfico de influência, escolhe o ataque. “Princípios sagrados de nossa República são desprezados com uma violência inédita e uma ausência de escrúpulo sem precedente”, diz ele, e por isso sua decisão de “romper o silêncio”.
As conversas com meu advogado foram gravadas sem o menor constrangimento. O conjunto é objeto de transcrições através das quais imagina-se facilmente quem são os destinatários!”, diz Sarkozy, aliás Paul Bismuth. Ele se pergunta “o que foi feito da transcrição de (suas) conversas”.
Retomando o contra ataque de seu lado, que acusa após uma semana ter havido um complô, ele ironiza as negações de Christiane Taubira e de Manuel Valls. “Eu sei, a ministra da Justiça não sabia de nada, apesar de todos os relatórios que ela pediu e recebeu. O ministro do Interior não sabia de nada, apesar das dezenas de policiais designados somente para minha situação. De quem estamos rindo? Poderíamos rir disso tudo se não se tratasse de princípios republicanos tão fundamentais. Decididamente, a França dos direitos do homem mudou muito”.



A Alemanha do Leste e as atividades da Stasi”



Mais adiante, ele se escandaliza com este assunto que pareceria com os métodos alemães do leste. “Hoje, ainda, toda pessoa que me telefona deve saber que será escutada. Você está lendo bem. Não é um extrato do maravilhoso filme A vida dos outros sobre a Alemanha do Leste e as atividades da Stasi (…). Trata-se da França.”
O antigo chefe de Estado, que não para de deixar planar a dúvida sobre seu retorno à política diante das eleições presidenciais de 2017, desmente esta hipótese: “Contrariamente ao que se escreve quotidianamente, eu não tenho nenhum desejo de me engajar na vida política de nosso país.” Ao mesmo tempo, o ex-presidente, um tipo de comandatário da direita francesa, adverte seus adversários “que deveriam temer (seu) retorno”. Que eles estejam “certos que a melhor maneira de evitar esse retorno seria que eu possa viver minha vida simplesmente, tranquilamente... no fundo, como um cidadão 'normal'!”
Na base do caso, Sarkozy tenta defender seu advogado, Thierry Herzog, de qualquer tráfico de influência. Ele assegura que seu único “crime” é “de ter sido amigo por trinta anos de um advogado do Tribunal de Cassação, um dos mais famosos juristas da França, a quem ele pede conselhos sobre a melhor estratégia de defesa para seu cliente”, quer dizer, Sarkozy. O advogado em questão é Gilbert Azibert. Os extratos de escutas revelados por Mediapart indicam que Herzog contou várias vezes ao ex-presidente que ele obtém informações através de Azibert sobre o caso Bettencourt.



Quando Sarkozy passa da medida


Quand Sarkozy perd toute mesure

Artigo publicado no site do Jornal Libération


20/03/2014
Por Eric DECOUTY


Palavras violentas, excessivas. Em sua primeira aparição desde agosto de 2012, Nicolas Sarkozy propõe para sua defesa apenas um grito de cólera em forma de imprecação. Contra os juízes, os jornalistas, contra um poder socialista que teria criado um grande complô para abatê-lo. Mas a essa exposição oral em sua defesa, já usada por seus seguidores, o ex-presidente acrescenta um toque tão pessoal quanto grotesco. O de uma República perdida onde a polícia e a justiça teriam se transformado em uma Stasi francesa, sob a autoridade de um ditador digno da extinta Alemanha do Leste, François Hollande...


Pouco importa a pobreza de uma argumentação que convencerá apenas seus próximos. A carta de Nicolas Sarkozy guarda pelo menos dois ensinamentos. Inicialmente, o do sentimento de impunidade de um antigo chefe de Estado que se tornou um cidadão comum mas que se considera sempre acima das leis da República. Sarkozy despreza – com exceção de alguns magistrados amigos – uma instituição judiciária da qual ele mal reconhece a legitimidade. Sua missiva, pela falta de propósito, revela sobretudo o estado de um homem que sabe que a justiça passará e que sabe também que seu futuro político corre o risco de quebrar sobre a instrução da Corte.

Nicolas Sarkozy perdeu toda a serenidade, passou das medidas. É a carta de um homem que se perde, vítima de uma violência somente controlada. Não é a carta de um antigo ou de um futuro presidente.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Livro: Um ano na terra dos elefantes

Amigos desta página,

Gostaria de divulgar o livro de um amigo, Heitor Freire de Abreu, que agora está à venda na Amazon  em versão digital por R$ 7,00. Tal iniciativa visa a estimular a leitura e propiciar um valor justo pelo livro no Brasil.
Eu já li este livro, que trata da participação do autor em uma missão de paz na Costa do Marfim, e recomendo!

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