terça-feira, 20 de maio de 2014

Os suíços votam contra o salário mínimo a 3300 euros

Les Suisses votent contre le smic à 3300 euros





Artigo publicado no Jornal Libération
18/05/2014
Agence France Presse


Os suíços recusaram claramente, domingo, um salário mínimo único de 3.300 euros, que teria sido o mais alto do mundo, e rejeitaram, mais timidamente, a compra de 22 aviões de combate suecos Gripen.



Com um total de 76,3% dos votos, o povo varreu a introdução de um salário mínimo de 22 francos suíços a hora (18 euros), em torno de 4.000 francos brutos (3.300 euros) para 42 horas semanais (100%), segundo os resultados oficiais. Todos os 26 cantões da confederação se opuseram ao projeto.
Este salário mínimo teria sido o mais alto do mundo: ele é de 9,43 euros na França, 5,05 euros na Espanha e será, na Alemanha, de 8,50 euros a partir de 2015.
Para os sindicatos e partidos de esquerda, o custo muito elevado da vida na Suíça justificaria este salário mínimo de 4.000 francos suíços.
Mas uma grande parte da população temia que um tal salário favorecesse uma alta do desemprego, quase inexistente na Suíça (3,2% da população ativa em abril).


Contra este projeto, a direita, os meios agrícolas, o Parlamento e o governo tinham afirmado que um salário mínimo tão alto teria sido um perigo para o emprego e tinham afirmado que já existem salários mínimos em certos ramos profissionais.


Os Gripen devolvidos ao hangar
Após um longo suspense, os cidadãos helvéticos finalmente rejeitaram a compra de 22 novos aviões de combate suecos Gripen fabricados por Saab.

Contrariamente à questão do salário mínimo, os suíços se mostraram divididos sobre a compra dos Gripen.

Enquanto os cantões romanches e o Tessin (cantão italofone) recusaram a compra dos 22 aviões suecos, a maioria dos cantões alemânicos – tradicionalmente mais conservadores – apoiou o projeto do governo. Mas isso não teria sido suficiente.
O governo suíço e o Parlamento queriam comprar os Gripen, estimando que uma parte dos aviões de combate que as forças armadas dispõem estariam “obsoletos”.
A fim de financiar esta aquisição, o Parlamento criou um fundo alimentado pelas despesas ordinárias ligadas ao armamento para repartir, por um período de 11 anos, o custo de 2,56 bilhões de euros necessários a esta compra.
Contrários ao projeto, a esquerda e os Verdes afirmaram que a fatura seria bem mais pesada e que a Suíça está rodeada de países amigos. O avião, cuja variação E encomendada só existe no papel, não é bom o bastante, estimaram seus detratores, sublinhando que será sempre tempo de reconsiderar uma outra encomenda.
Resta a saber o que o governo vai fazer a partir de agora. Pois como havia martelado várias vezes o ministro da defesa, Ueli Maurer: “não há um plano B”.


As Forças aéreas suíças dispõem atualmente de 86 aviões de combate – 32 F/A-18, que serão utilizados até 2030 pelo menos, e 54 F-5 Tiger que, segundo o governo, “não possuem radar com bom rendimento, não podem utilizar todos os tipos de mísseis guiados e só podem ser usados de dia e com boa visibilidade”.

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