Texto originalmente publicado no site da TV5 Monde.
Por Myriam CHAPLAIN RIOU
Angoulême, 30 de janeiro de 2014
Viva Mafalda ! A pequena heroína anticonformista criada por Quino em 1964 festeja seus 50 anos mas "as questões que ela se coloca sobre a sociedade falam ainda aos leitores de hoje e sua visão continua de uma surpreendente atualidade", confia à AFP (Agence France Presse) o célebre autor de Histórias em Quadrinho argentino.
Este aniversário e os 60 anos de carreira de seu ilustre criador são celebrados no Festival internacional de história em quadrinho de Angoulême (França) em uma soberba exposição que tem como decoração o apartamento onde vivem Mafalda e seus pais.
Quino passa através dos olhos dessa menininha oriunda da classe média argentina sua própria reflexão contestadora sobre o mundo. Mafalda não gosta da sopa e critica a gestão do planeta pelos adultos, muito preocupada pelos problemas econômicos e sociais, as desigualdades, a injustiça, a corrupção, a guerra, o meio ambiente...
"Outras exposições estão também previstas este ano na Argentina, na Itália, na Espanha, no Canadá ou no México", afirma o cenarista e desenhista de 81 anos em uma entrevista à AFP por e-mail de Madri, onde ele mora uma parte do ano. Ele mora o resto do tempo em Buenos Aires e não pôde vir a Angoulême por razões de saúde.
"Fico surpreso ao ver que meus desenhos feitos há 40 ou 50 anos correspondem às problemáticas contemporâneas. Assim, o ano passado, episódios de Mafalda saíram na Itália, divididos por tema, política, economia... E era incrível como os desenhos pareciam fazer referência diretamente à campanha de Berlusconi!", diz Quino, cujo verdadeiro nome é Joaquim Salvador Lavado Tejon, nascido em 17 de julho de 1932 em Mendoza (oeste da Argentina) de pais andaluzes.
Desde sua primeira publicação, "Mundo Quino", em 1963, ele é considerado como um dos melhores humoristas-desenhistas de seu país. Mas é sua pequena heroína morena com um laço vermelho nos cabelos que o faz conhecido no mundo inteiro a partir de 1964. Ele havia esboçado o personagem um pouco mais cedo... em uma publicidade de eletrodoméstico. Mafalda será a única série de Quino.
"Mafalda foi apenas um parêntese em meus sessenta anos de carreira", diz ele. "Quando eu a criei já havia onze anos que eu publicava desenhos humorísticos e eu continuei após terminar suas aventuras em 1972!, explica Quino, que foi exilado após o golpe de estado militar de 1976. "É minha pior lembrança, estar longe de meu país, de minha juventude", confessa ele.
"Eu parei Mafalda por preguiça de desenhar sempre os mesmos personagens. E também, minha mulher já estava cansada de nunca poder ir ao cinema, receber os amigos porque eu trabalhava na história em quadrinho", se diverte. Ele depois construiu uma obra cheia de humor e poesia, sem um herói recorrente.
'O humor é universal'
"Eu jamais havia imaginado continuar com Mafalda durante uma década. Nem sobretudo que ela sobreviveria até os dias de hoje", diz ele com modéstia. Os álbuns não pararam de ser reeditados no mundo. Na França, Glénat publica um "Mafalda Integral", lança uma coleção jovem, "A pequena filosofia de Mafalda" e publicará "Quino, 60 anos de humor" em março.
O autor se espanta com sua consagração internacional? O humor é universal. Eu não creio que ele possa mudar o mundo, mas ajuda. É o pequeno grão de areia que podemos levar para tentar modificar as coisas... Os temas de Mafalda são também universais. Na China, na Finlândia ou na América Latina, os problemas de relação pais e filhos são os mesmos. Bem, talvez não na China, com o filho único", ele brinca.
Diz-se que Mafalda é a argentina mais célebre do século XX: "é em meu país que ela é mais vendida mas também no México, na Espanha, na Itália..."
Mafalda é também sempre considerada como uma irmãzinha dos Peanuts. "É um pouco uma mistura dos personagens dos Peanuts. Mas Charlie Brown vive em um mundo infantil. Mafalda vive um diálogo permanente com o mundo hostil dos adultos.
Quino quase não desenha mais, seus olhos são muito frágeis. Ele que sonhava mudar o mundo, ainda quer acreditar em um futuro melhor. "É uma necessidade, mesmo se no fundo nós sabemos que tudo continuará como antes..."
http://www.tv5.org/cms/chaine-francophone/info/p-1911-A-50-ans-Mafalda-n-a-pas-pris-une-ride-.htm?&rub=5&xml=140130145621.77hz4fsr.xml
Olá. Este blog nasceu de meu interesse por artigos da imprensa francesa. E achei que muitos poderiam ser traduzidos para que fossem acessados por quem não lê francês. Será possível encontrar aqui artigos que não foram publicados na imprensa brasileira ou comparar pontos de vista. Boa leitura e espero que gostem!
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Bem-vindo ao meu site
Olá. Meu nome é Maria Cristina. Sou professora de francês e de português já há alguns anos. Neste blog, meu objetivo é traduzir matérias publicadas na imprensa francesa e que não estão acessíveis a quem não lê francês. Aqui você pode ler matérias que não foram publicadas na imprensa brasileira ou comparar pontos de vista. Espero que seja útil de alguma maneira! Um abraço.
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